O conselho de administração costuma ser visto como um símbolo de grandes corporações, algo distante da realidade da maioria dos negócios brasileiros. Mas ele é, na verdade, uma ferramenta de gestão, e como toda ferramenta, faz sentido em certos momentos e é dispensável em outros. A pergunta certa não é se a sua empresa é grande o bastante, e sim se ela chegou a um ponto em que as decisões estratégicas passaram a exigir mais de uma cabeça e um olhar de fora.
Em termos simples, o conselho de administração é o órgão que fica entre os sócios e a diretoria. Os sócios, reunidos em assembleia, definem os rumos gerais e escolhem o conselho. O conselho, por sua vez, orienta a estratégia, fiscaliza a diretoria e cobra resultados. A diretoria executa o dia a dia. Essa separação entre quem é dono, quem orienta e quem executa é o coração da governança e evita que tudo se concentre na mesma mão.
Os sinais de que chegou a hora
Não existe uma regra rígida, mas alguns sinais aparecem com frequência nas empresas que se beneficiam de um conselho. Vale prestar atenção quando um ou mais deles surgem ao mesmo tempo.
- A empresa cresceu e as decisões estratégicas ficaram grandes demais para serem tomadas informalmente.
- Há vários sócios, e as divergências sobre os rumos do negócio começam a travar decisões.
- Aproxima-se uma sucessão familiar, e a próxima geração precisa de um espaço estruturado para aprender a decidir.
- O negócio busca investidores, sócios ou crédito, e o mercado passa a exigir mais transparência e prestação de contas.
- O fundador percebe que centraliza tudo e quer profissionalizar a gestão sem perder o controle do que importa.
Negócio enxuto
Poucos sócios alinhados, decisões estratégicas ainda simples e um dia a dia que o próprio dono acompanha de perto. Aqui um acordo de sócios bem feito e reuniões periódicas já resolvem.
Negócio em outro patamar
Crescimento acelerado, mais sócios, sucessão no horizonte ou entrada de capital. A estratégia passa a exigir método, fiscalização e um olhar externo que o conselho oferece.
Um ponto importante: conselho não precisa nascer grande nem caro. Muitas empresas começam com um formato mais leve, às vezes chamado de conselho consultivo, em que profissionais experientes de fora ajudam a pensar a estratégia sem ainda assumir todas as responsabilidades formais de um conselho de administração estatutário. É um caminho de amadurecimento, que pode evoluir conforme a empresa cresce.
Na empresa familiar, o conselho ganha um papel adicional e delicado. Ele ajuda a separar o que é conversa de família do que é decisão de negócio, aqueles três círculos que se sobrepõem: a família, a propriedade e a gestão. Ter um espaço formal de decisão, com pauta, registro e um ou outro conselheiro externo sem laço familiar, muda a qualidade das escolhas e reduce o risco de que ressentimentos pessoais contaminem a estratégia da empresa.
O melhor momento para pensar em um conselho não é durante a crise, e sim antes dela. Quando a estrutura já existe e funciona, ela recebe bem a sucessão, o investidor e a divergência entre sócios. Montada às pressas no meio do conflito, dificilmente cumpre o seu papel.
No escritório, ajudamos o cliente a avaliar com honestidade se este é o momento, e, quando é, a desenhar o conselho no formato certo: quem participa, quais são as competências, como funcionam as reuniões e o que fica registrado. Nosso trabalho é fazer com que o conselho seja um instrumento vivo de gestão, e não apenas um nome bonito no organograma. Se você reconheceu a sua empresa em algum dos sinais acima, vale a pena conversarmos.
- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, 5ª edição.
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