Receber a notícia de uma reclamatória trabalhista costuma gerar uma mistura de surpresa e irritação, ainda mais quando a empresa acredita ter feito tudo certo. A reação natural é querer responder na hora, ligar para o ex-empregado ou descartar tudo achando que não vai dar em nada. São exatamente essas reações que mais atrapalham. As primeiras decisões, tomadas nos primeiros dias, definem boa parte do rumo do processo.
O que fazer primeiro
O ponto de partida é não perder tempo. O processo trabalhista tem prazos curtos e uma audiência logo no início. Quanto antes a empresa procurar orientação e organizar o material, melhor a qualidade da defesa. Reunir documento em cima da hora costuma significar reunir documento pela metade.
- Localize o contrato de trabalho, aditivos e a ficha de registro.
- Separe os controles de ponto, holerites e comprovantes de pagamento.
- Reúna os recibos de férias, 13º, vale-transporte e demais verbas.
- Guarde o termo de rescisão e o comprovante de quitação das verbas.
- Liste possíveis testemunhas e o que cada uma presenciou.
Na Justiça do Trabalho, em muitos temas o ônus de provar é da empresa, e não do empregado. Controle de jornada, pagamento de verbas e regularidade dos recibos são defendidos com documento. Sem documento, a versão do trabalhador tende a prevalecer.
Tão importante quanto o que fazer é o que evitar. Nada de procurar o ex-empregado para negociar por conta própria, alterar registros, criar documento depois do fato ou tratar a citação como se fosse um aviso sem importância. Mexer em ponto ou recibo depois que a ação já existe pode transformar um caso comum em um problema sério de credibilidade.
Reação no impulso
Ignorar o prazo, contatar a parte sozinho, ajustar documentos e chegar à audiência sem preparo. Cada um desses passos enfraquece a posição da empresa.
Resposta organizada
Acionar a defesa cedo, reunir provas reais, mapear testemunhas e chegar à audiência com estratégia. A empresa fala por meio do processo, no momento certo.
Vale lembrar que nem todo processo precisa ir até o fim. Em muitos casos, um acordo bem calculado é mais vantajoso do que anos de discussão, com a vantagem de dar quitação e encerrar o risco. Em outros, a defesa firme é o melhor caminho. Essa leitura depende de análise técnica, e é justamente nela que o escritório atua: avaliando o caso, organizando a prova e ajudando a empresa a decidir entre defender ou negociar, sempre com os pés no chão quanto ao resultado.
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Falar no WhatsAppConteúdo de caráter informativo. Não constitui parecer ou consultoria jurídica, que dependem da análise do caso concreto. Em conformidade com as normas da OAB sobre publicidade na advocacia.
